Precisei de números para mesurar o seu descaso.
Era preciso ve-lo representado em sinais,
Nào desejava toca - lo e me desintegrar em névoa de outono,
(Sempre se pode faze - lo barro ou tinta e tocar)
Mas para forjar na matemática do vazio, um lampejo de compreensão qualquer de minha febre matutina.
Escolhi os segundos de sua ausencia como metro de tristeza.
Somei -os à minha fraqueza e,
No frigir do peito,
os números beiraram a eternidade.
E pensar que todo,
Todo o assustador espaço infinito de Pascal,
todo seu abismo,
Se preencheria com uma única palavra.
Uma
quinta-feira, 14 de junho de 2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Amador, até ossos e medulas!
Nada contra os infelizes
Nada a favor dos tutores e mestre escolas.
Mas por favor, nada me ensinem os vitoriosos de amanhã!
Quero a ignorância dos amantes,
Seu tempo, hora faminto hora intangível
Pêndulo a oscilar sem sentido algum...
Sua incerteza atávica, DNA de auroras e equívocos.
Nada contra os infelizes
Nada a favor dos tutores e mestre escolas.
Mas por favor, nada me ensinem os vitoriosos de amanhã!
Quero a ignorância dos amantes,
Seu tempo, hora faminto hora intangível
Pêndulo a oscilar sem sentido algum...
Sua incerteza atávica, DNA de auroras e equívocos.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Sonho
Desenho e sonho de Artur MattarE se os cães de Dionísio
Se arremessassem contra os vidros do vagão,
Ameaçando assim nossa viagem tranquila
Com estilhaços, sangue e saliva espessa...
À brigadeiro não mais se sucederia o Paraíso,
E estaríamos então em plena travessia,
Fugindo por labirintos sem porto ou porvir.
Mas a blindagem severa,
Que protege o bom burguês das balas perdidas e da fúria das mênades,
Dos Sátiros do acaso e da ventania que eriça cabeleiras de leões,
Nos permitiu chegarmos ilesos à Consolação.
Dionísio fincou pé de pedra e esquecimento nos Jardins do Trianon.
Sim, eramos três num vagão!
Capturados na engenharia dos sonhos uns dos outros,
Quantos seriamos nós?
Da janela de nossa embarcação
Veem- se, sob a baba do Deus delirante,
um bravo guerreiro e um sujeito descalço
se amando sobre a plataforma vazia.
Engendram Eros sob os coturnos das moedas.
Escaparam das presas do cão,
Dos Urubus de asas e cassetetes,
E celebram bravamente sua loucura,
que se esfuma e despedaça
A cada novo despertar.
domingo, 28 de agosto de 2011
Pequena fábula de um amor de alhures e de além.
Por Rodrigo Mercadante
Para um amigo
Era um sumidouro de espelho,
Era alhures,
Era alto,
Era além.
Procurava- o tanto em seu reflexo nas águas,
Que sobre elas caminhava, sem se molhar.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
A Casa 2 por Rodrigo Mercadante
Às vésperas de uma demolição
Ela era minha mais do que de todos os outros.
Mais infância que ruína
Mais rima, mais rima, mais rima
Nunca se riu de mim,
Mas me assombrava sob os vãos da escada.
Há um chapisco de cada medo meu
Sob a tinta da parede
E mesmo a parede,
É mais rosto que pedra,
Mais sangue, mais cerne!
Marcados na aresta de um canto
Ums riscos rabiscos uns sobre os outros
medem minha história em datas e polegadas:
"Um dia ele espicha"!!
Toneladas, toneladas de pensamentos
tolos, tortos, cheios de musgo, gesso, madeira podre
Se acumularam em hipóteses sob os ladrilhos vermelhos da sala.
E histórias,
Tantas histórias compondo seus vitrais...
A louca escondida 7 dias sob uma escada esquecida,
Um trapézio no centro da sala,
A piscina burguesa a transbordar desejos,
A goiabera onde moravam os primos,
O sofá de onde o mundo era visto ao avesso,
Uma torneira, um galo, uma oficina
Um sótão onde ninguém chegava,
Uma adega onde viviam
Todos os espíritos que animam sons, telhas, treliças,
E que ainda me amedrontam nas horas mortas da madrugada.
Quais são as máquinas de esmagar memórias:
A barbárie, o capital, o futuro?
Sobre quais mortes se erguem os novos arranhacéus?
Exigem sangue e saliva como registro de escritura?
Haverá de sobreviver sob o alicerce
Das novas famílias uma gota de minhas hesitações e três perguntas sem resposta.
Antes dos tratores desmolirem esses versos,
gostaria de gritar a meus iguais que sob o chão onde pisamos por tantos anos
Havia água a se infiltar na cerâmica.
E também baratas verdadeiras habitando o subsolo de nossas ilusões.
domingo, 31 de julho de 2011
Salvação de um poema por Rodrigo Mercadante
Acidentou-se metade de um poema .
Seu coração, desesperado, se enganou num passo.
Acostumado a desacertos procurou o espaço
E desavisadamente, gozou de voo e suspensão.
Foi coração que dobrou os joelhos
Foi coração que se deu ao chão.
Quem terá socorrido a metade de um poema?
Seu coração, desesperado, se enganou num passo.
Acostumado a desacertos procurou o espaço
E desavisadamente, gozou de voo e suspensão.
Foi coração que dobrou os joelhos
Foi coração que se deu ao chão.
Quem terá socorrido a metade de um poema?
sábado, 30 de julho de 2011
Kalos - por Rodrigo Mercadante
Kalos
palavra inscrita em sua pele branda
Kalos
palavra dedicada às circunferências do verde
Kalos
palavra escrita nos papiros, nos vasos
Kalos
palavra estranha escrita aqui.
Kalos
palavra que puxa, que acolhe, umedece
Kalos
palavra soneto, palavra canção
Kalos
palavra antiga que se faz urgente
Kalos
palavra que insiste e não traduzo agora...
Kalos
palavra pintada sobre um odre de vinho
Kalos
Palavra boca a tocar a taça
Kalos
palavra olho que te vasculha as idéias
Kalos
palavra cheiro que te desvenda o corpo.
Kalos
palavra mais que palavra, dom!
Kalos
palavra de mãos tremulas, tremor essencial
Kalos
palavra potro, desembestada noite
Kalos
palavra poema que se toca de manhã
Kalos
palavra moço,
Kalos
palavra velha,
Kalos
palavra que espero
Kalos
palavra sim.
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